Estava eu na fila do supermercado, quando me dou conta do nome da rapariga da caixa.
Dulcynea.
Prontamente me lembrei da célebre Dulcineia, amada de Dom Quixote. Não, não sou profundo adepto desta personagem criada por Cervantes, mas imaginei esta rapariga ser surpreendida por uma espécie de cavaleiro pronto a mostrar-lhe estar disposto a tudo para defendê-la.
No fundo, tal como Dom Quixote fustigou moinhos de vento bradando aos sete ventos que estava a lutar com terríficos gigantes, imaginei um rapaz das entregas entrar por ali dentro, olhá-la nos olhos e dizer: "eu salvo-te, amada minha!"
E... zás! Vai de fazer em fanicos as malditas prateleiras, onde o exército das batatas lisas se havia secretamente amigado com o das batatas onduladas, num compadrinho doentio que tinha como objectivo final colocar no vermelho o colesterol da pobre Dulcynea.
Talvez um dia destes volte com mais notícias sobre Dulcynea e Dom Entregas.
Até lá, vou ali a baixo escavacar os tentáculos daqueles polvos alienígenas que este pessoal insiste em apelidar de torniquetes.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Perneta
Começou por olhar para mim com um ar desconfiado.
Passou um dia, passaram dois. Devem ter passado umas duas semanas. E mesmo que eu tivesse uma guloseima na mão, desafiava-me a atirá-la para perto dele.
Depois ficava a vê-lo virar-me as costas, naquele seu andar meio em frente meio de lado, como só um cão com três patas consegue fazer.
Quando estava sol, dormia de barriga para o ar, aproveitando a ausência da pata esquerda traseira para deixar correr a brisa (imaginava eu). E não precisava de levantar nenhuma para aliviar a bexiga.
Certo dia, assim sem mais nem menos, levantou-se e, meio em frente meio de lado, veio buscar o biscoito que eu tinha na mão. E pirou-se no mesmo estilo com que, um ou dois dias depois, me deixo fazer-lhe festas. Poucas, porque um gajo cão com apenas três patas nunca sabe quando uma qualquer besta com apenas duas se vai aproveitar do facto para lhe infernizar a vida.
Por esta altura, já eu lhe chamava Perneta sempre que o via, ao ponto de acreditar que ele já sabia que eu estava a falar com ele. Pelo menos ficava contente quando me via de manhã, abanando o rabo de uma forma que, por só ter três patas, dava ideia de o obrigar a abanar meio corpo. E eu ficava contente quando não o via à noite, principalmente nas noites frias ou de chuva, pois sabia que, na companhia do Magrinho, tinha encontrado sítio para se abrigar.
Há dois dias, entre lágrimas, a Tânia disse-me que o Perneta tinha sido encontrado morto, perto do cemitério que fica na zona onde vivo.
Eu respirei fundo e tentei estancar a água que lhe corria dos olhos.
Agora, todos os dias de manhã ao sair de casa, sou eu quem chora em silêncio. Rodeado por sem abrigo de quatro patas e sentindo a falta de um que apenas precisou de três para cativar-me.
Passou um dia, passaram dois. Devem ter passado umas duas semanas. E mesmo que eu tivesse uma guloseima na mão, desafiava-me a atirá-la para perto dele.
Depois ficava a vê-lo virar-me as costas, naquele seu andar meio em frente meio de lado, como só um cão com três patas consegue fazer.
Quando estava sol, dormia de barriga para o ar, aproveitando a ausência da pata esquerda traseira para deixar correr a brisa (imaginava eu). E não precisava de levantar nenhuma para aliviar a bexiga.
Certo dia, assim sem mais nem menos, levantou-se e, meio em frente meio de lado, veio buscar o biscoito que eu tinha na mão. E pirou-se no mesmo estilo com que, um ou dois dias depois, me deixo fazer-lhe festas. Poucas, porque um gajo cão com apenas três patas nunca sabe quando uma qualquer besta com apenas duas se vai aproveitar do facto para lhe infernizar a vida.
Por esta altura, já eu lhe chamava Perneta sempre que o via, ao ponto de acreditar que ele já sabia que eu estava a falar com ele. Pelo menos ficava contente quando me via de manhã, abanando o rabo de uma forma que, por só ter três patas, dava ideia de o obrigar a abanar meio corpo. E eu ficava contente quando não o via à noite, principalmente nas noites frias ou de chuva, pois sabia que, na companhia do Magrinho, tinha encontrado sítio para se abrigar.
Há dois dias, entre lágrimas, a Tânia disse-me que o Perneta tinha sido encontrado morto, perto do cemitério que fica na zona onde vivo.
Eu respirei fundo e tentei estancar a água que lhe corria dos olhos.
Agora, todos os dias de manhã ao sair de casa, sou eu quem chora em silêncio. Rodeado por sem abrigo de quatro patas e sentindo a falta de um que apenas precisou de três para cativar-me.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Acabado de chegar de Alvalade
Vou ao Estádio desde os 9 anos de idade, apoiar o Sporting.
E se vos disser que não me recordo de, em 22 anos de bancada, ter visto uma coisa assim?
Faltam-me palavras nesta altura em que a minha cabeça é ainda um latejar de emoções.
Vou ficar-me por um obrigado a todos quantos me proporcionaram uma noite inesquecível.
E um obrigado especial à minha mulher, que depois de encaixar cinco batatinhas me deu uma tremenda lição de desportivismo (eu tenho desculpa. Sou futebolísticamente doente, ehehehe)
E se vos disser que não me recordo de, em 22 anos de bancada, ter visto uma coisa assim?
Faltam-me palavras nesta altura em que a minha cabeça é ainda um latejar de emoções.
Vou ficar-me por um obrigado a todos quantos me proporcionaram uma noite inesquecível.
E um obrigado especial à minha mulher, que depois de encaixar cinco batatinhas me deu uma tremenda lição de desportivismo (eu tenho desculpa. Sou futebolísticamente doente, ehehehe)
terça-feira, 15 de abril de 2008
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Viva o momento, Now!
Se eu mandasse, esta merda dava despedimento com justa causa...
Mail para a VODAFONE a pedir cancelamento do contrato.
Cancelamento de contrato- telefone 914504626
Exmos. Senhores,
Por falecimento da V. cliente Maria Fernanda V**** de M****** Teles, no passado dia 28 de Novembro, queiram por favor proceder ao cancelamento do respectivo contrato, a partir do corrente mês de Dezembro inclusive.
A mesma informação será enviada por correio, conforme carta anexa.
Sem outro assunto,
Alda Teles
RESPOSTA DA VODAFONE
Muito boa tarde, como está?
Para podermos efectuar a desactivação definitiva é necessário que nos envie uma cópia da certidão de óbito do titular.
Deverá confirmar o nº de contribuinte ou nº de conta Vodafone.
Boas festas. Viva o momento, Now!
Paula Santos
Apoiocliente@vodafone.pt
Nota: Caso necessite contactar-nos novamente sobre o mesmo assunto agradecemos que faça reply deste e-mail.
PS: Para dúvidas relacionadas com o serviço yorn o mail de apoio ao cliente é Heeellp@Yorn.net <mailto: Heeellp@Yorn.net> mailto:Heeellp@Yorn.net >>.
NOVO MAIL DO CLIENTE
Boa tarde. estou bem, muito obrigada. A minha mãe faleceu, por isso estou óptima e vivo o momento, now!
Agradecia que me indicasse a morada para onde deve ser enviada a certidão de óbito.
Boas festas também para si.
Mail para a VODAFONE a pedir cancelamento do contrato.
Cancelamento de contrato- telefone 914504626
Exmos. Senhores,
Por falecimento da V. cliente Maria Fernanda V**** de M****** Teles, no passado dia 28 de Novembro, queiram por favor proceder ao cancelamento do respectivo contrato, a partir do corrente mês de Dezembro inclusive.
A mesma informação será enviada por correio, conforme carta anexa.
Sem outro assunto,
Alda Teles
RESPOSTA DA VODAFONE
Muito boa tarde, como está?
Para podermos efectuar a desactivação definitiva é necessário que nos envie uma cópia da certidão de óbito do titular.
Deverá confirmar o nº de contribuinte ou nº de conta Vodafone.
Boas festas. Viva o momento, Now!
Paula Santos
Apoiocliente@vodafone.pt
Nota: Caso necessite contactar-nos novamente sobre o mesmo assunto agradecemos que faça reply deste e-mail.
PS: Para dúvidas relacionadas com o serviço yorn o mail de apoio ao cliente é Heeellp@Yorn.net <mailto: Heeellp@Yorn.net> mailto:Heeellp@Yorn.net >>.
NOVO MAIL DO CLIENTE
Boa tarde. estou bem, muito obrigada. A minha mãe faleceu, por isso estou óptima e vivo o momento, now!
Agradecia que me indicasse a morada para onde deve ser enviada a certidão de óbito.
Boas festas também para si.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Uma questão de bolhas II

Há quem goste de bebidas com gás. E há quem não goste.
Eu gosto. Muito.
Precisamente por gostar muito de bebidas com gás, várias vezes apelidadas de refrigerantes, é que me irrita solenemente que as pessoas não façam um esforço para tentar distinguir as coisas.
Não vou entrar numa discussão sobre qual a melhor, mas acho quase inacreditável alguém dizer-me que "Coca-Cola e Pepsi é a mesma coisa". Pior ainda, recuso-me a aceitar que, quando vou a um restaurante, peça Coca-Cola e me tragam Pepsi. É a mesma merda que pedir batatas fritas e trazerem-me batatas cozidas e salteadas em manteiga.
Como é fácil de entender, quando o empregado resolve ignorar que lhe pedi Coca-Cola e me traz uma Pepsi, o resultado é sempre o mesmo: "eu pedi-lhe Coca-Cola". Perfeito, perfeito, é quando a presunção do dito empregado o leva a trazer-me a garrafa já aberta, deixando-me a imaginar quem é que vai beber a maldita Pepsi (que quando regressar à cozinha já não deve ter gás).
Se todas as pessoas fizessem o mesmo, por certo todos os empregados fariam o que alguns já fazem: "Uma Coca-Cola, sff"; "Só temos Pepsi". E pronto, apesar de achar triste um estabelecimento apenas molhar gargantas à base de Pepsi, agradeço e escolho outra coisa.
terça-feira, 1 de abril de 2008
Uma questão de bolhas
Tenho-me esquecido de vos falar sobre um anúncio que considero bastante curioso.
Falo da publicidade ao chocolate da Nestlé, Aero.
Estão duas "madames" num escritório, se não estou em erro perto de uma fotocopiadora, e uma delas diz para a outra abrir a boca. Sem mais demoras, zás, espeta-lhe um bocado de Aero entre as bochechas. "Não mordas!", ordena-lhe enquanto trata de ocupar também a sua boca com o dito produto.
"Qué isto?", pergunta a que não conhece, e... pronto, é aqui que tudo começa, pois a explicação é "são bolhas", mas como as "madames" têm a boca cheia o som que caracteriza a resposta é "são poias".
Portanto, as duas têm a boca cheia de poias e, pior, estão a deliciar-se.
Tanto que uma delas diz "adoro poias!", ao que a outra responde "adoro poias!".
Se não se importarem, eu cá prefiro chocolate...
Falo da publicidade ao chocolate da Nestlé, Aero.
Estão duas "madames" num escritório, se não estou em erro perto de uma fotocopiadora, e uma delas diz para a outra abrir a boca. Sem mais demoras, zás, espeta-lhe um bocado de Aero entre as bochechas. "Não mordas!", ordena-lhe enquanto trata de ocupar também a sua boca com o dito produto.
"Qué isto?", pergunta a que não conhece, e... pronto, é aqui que tudo começa, pois a explicação é "são bolhas", mas como as "madames" têm a boca cheia o som que caracteriza a resposta é "são poias".
Portanto, as duas têm a boca cheia de poias e, pior, estão a deliciar-se.
Tanto que uma delas diz "adoro poias!", ao que a outra responde "adoro poias!".
Se não se importarem, eu cá prefiro chocolate...
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