Dei comigo a pensar que as moscas cavam a sua própria sepultura ou, melhor dizendo, cultivam a sua própria bordoada final.
Apesar daqueles olhos encavalitados no alto da tola, que supostamente lhes permitem ver os movimentos alheios destinados a "fazer-lhes a folha" (hum, há quanto tempo não dizia ou ouvia isto), as moscas são, e peço desculpa a todas as moscas, umas repimpadas bestas, incapazes de perceber que lhes abrimos uma porta ou uma janela e lhes estamos a dar hipótese de carregar o seu irritante bzzzzzzz para longe.
Numa comparação rápida, imaginem-se a andar (sim, podem estar a dirigir-se para onde quiserem).
Quando dão por vocês, estão meio perdidos, num bairro com má cara.
Começam a andar às voltas, enquanto despertam os olhares dos gandulos que por lá habitam.
bzzz bzzz
Num ápice (adoro a palavra ápice. Dá-me um ar anos 30), estão a ser seguidos por três ou quatro marmanjos com ar de quem vos vai dar uma coça.
bzzz bzzz
Vão ziguezagueando (adoro a palavra ziguezaguear, principalmente porque certas pessoas se atrapalham a dizê-la) até que se vêem encurralados num beco.
bzzz bzzz
Enrascados, atiram-se contra uma parede, na esperança que o prédio ceda
bzzz bzzz
Correm para o outro lado, cabum, mais uma infrutífera ombrada no cimento.
bzzz bzzz
Os mânfios começam a fechar o círculo, mas há um deles que abre deliberadamente passagem. "Vá, meu. Baza e não voltes a aparecer por aqui".
bzzz bzzz
Mas vocês estão surdos e atiram-se ainda com mais força contra a parede. Uma, e outra vez.
bzzz bzzz
Os mânfios estão atónitos, com tanta estupidez.
Até que, fartos de vos aturar, dão-vos uma coça do tamanho da lista de quecas da Cicciolina (se forem porreiros, ficam-se pela lista de namorados da Elsa Raposo) e deixam-vos esborrachados no chão.
E não me venham cá dizer que é o destino...
segunda-feira, 31 de março de 2008
Está lá, Está lá!
É impressionante o que 10 minutos de convivência com uma criança de três anos podem fazer à nossa mente.
Se a essa criança juntarem um DVD da Bebé Lili, um leitor de DVD, e uma televisão; se entretanto essa criança começar a cantar e a dançar, com o nariz a um palmo do ecrã, e se pedir para repetirem a música de que tanto gosta uma segunda vez... o resultado pode ser uma segunda-feira em que dão por vocês a cantarolar alarvemente "Está lá, Está lá, Quero falar com o meu papá".
Se a essa criança juntarem um DVD da Bebé Lili, um leitor de DVD, e uma televisão; se entretanto essa criança começar a cantar e a dançar, com o nariz a um palmo do ecrã, e se pedir para repetirem a música de que tanto gosta uma segunda vez... o resultado pode ser uma segunda-feira em que dão por vocês a cantarolar alarvemente "Está lá, Está lá, Quero falar com o meu papá".
sexta-feira, 28 de março de 2008
Fim-de-semana alternativo
Se este fim-de-semana estiverem por Lisboa e gostarem de feiras, mais precisamente de feiras esotéricas e alternativas, aproveitem uma destas sugestões (ou as duas).
Em Oeiras, na Fundição dessa bela localidade, acontece a Feira Esotérica e Bio Alternativa. Começa hoje e termina no dia 6 de Abril, tendo para oferecer, entre outras coisas, Astrologia, Buzios, Cartomância, Exorcistas, Médiuns, Reiki, Tarot, Artesanato Místico, Material Esotérico, Danças Orientais, Bioernergias.
Durante menos dias, mas começando também hoje (termina depois de amanhã, ou seja domingo, ou seja, dia 30 de Março), estará em destaque a Feira Lisboa Alternativa.
O local escolhido para acolher a iniciativa foi a Coordoaria Nacional, e o lema é "mostra de modos de vida alternativos". Se lá forem, esperam-vos Workshops (Culinária Vegetariana, Ikebana, Origami, Reiki, entre outros), várias aulas e exibições (das artes marciais às danças orientais), palestras (alimentação natural, meditação, cura pelas plantas, etc) e, acredito eu, barraquinhas de artesanato e comidas gostosas.
Em Oeiras, na Fundição dessa bela localidade, acontece a Feira Esotérica e Bio Alternativa. Começa hoje e termina no dia 6 de Abril, tendo para oferecer, entre outras coisas, Astrologia, Buzios, Cartomância, Exorcistas, Médiuns, Reiki, Tarot, Artesanato Místico, Material Esotérico, Danças Orientais, Bioernergias.
Durante menos dias, mas começando também hoje (termina depois de amanhã, ou seja domingo, ou seja, dia 30 de Março), estará em destaque a Feira Lisboa Alternativa.
O local escolhido para acolher a iniciativa foi a Coordoaria Nacional, e o lema é "mostra de modos de vida alternativos". Se lá forem, esperam-vos Workshops (Culinária Vegetariana, Ikebana, Origami, Reiki, entre outros), várias aulas e exibições (das artes marciais às danças orientais), palestras (alimentação natural, meditação, cura pelas plantas, etc) e, acredito eu, barraquinhas de artesanato e comidas gostosas.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Acordar
Adoro acordar ao teu lado.
Custa, quando tenho que levantar-me primeiro, deixando o teu calor que é nosso num beijo ensonado.
Custa, quando te levantas primeiro e, num estado em que nem estou a dormir nem acordado, te ouço arranjar e imagino o quão bonita estarás.
Adoro acordar ao teu lado.
Ver-te sorrir num abraço apertado, mesmo sabendo que isso é meio caminho andando para chegar atrasado ou termos que alterar o que tínhamos combinado.
Custa, quando tenho que levantar-me primeiro, deixando o teu calor que é nosso num beijo ensonado.
Custa, quando te levantas primeiro e, num estado em que nem estou a dormir nem acordado, te ouço arranjar e imagino o quão bonita estarás.
Adoro acordar ao teu lado.
Ver-te sorrir num abraço apertado, mesmo sabendo que isso é meio caminho andando para chegar atrasado ou termos que alterar o que tínhamos combinado.
quinta-feira, 20 de março de 2008
Amêndoas da Páscoa
Há de várias cores, feitios, doçuras, cobertura e recheio.
Assim sendo, e como prémio para todos aqueles que gastam alguns minutos dos seus dias e, por consequência, das suas vidas a ler o que aqui me apetece escrever, resolvi partilhar o meu saquinho de amêndoas musicais.
No fundo, aliciar-vos a descobrir as canções que actualente mais vezes ouço e que, digo eu, são umas valentes malhas!
Those Dancing Days, Hitten (recheio de felicidade)
Hércules & Love Affair, Blind (recheio o que é que se passa que eu não consigo parar de dançar?)
The National, Mistaken for Strangers (recheio o rock é mem'bom)
Sons & Daughters, Gilt Complex (recheio oh tempo, volta pra trás)
Keren Ann, Lay Your Head Down (recheio bora lá fazer bebés)
Operator Please, Leave it Alone (recheio energético)
Chromatics, Night Drive (recheio eu ouço coisas cheias de pinta)
Rita Redshoes, Once I Find You (recheio do melhor feito em Portugal)
Digitalism, Idealistic (recheio a tua pastilha bate mais que a minha)
Beirut, My Night With the Prostitute From Marseille (versão da Natalie Portman’s Mixtape) (recheio faz-me viajar)
The Cinematics, Break (recheio uma noite no Bairro Alto)
Belle & Sebastian, Baby Jane (recheio temos nome de desenho animado, mas cantamos melhor que o Rod Stewart uma música que ele inventou)
Assim sendo, e como prémio para todos aqueles que gastam alguns minutos dos seus dias e, por consequência, das suas vidas a ler o que aqui me apetece escrever, resolvi partilhar o meu saquinho de amêndoas musicais.
No fundo, aliciar-vos a descobrir as canções que actualente mais vezes ouço e que, digo eu, são umas valentes malhas!
Those Dancing Days, Hitten (recheio de felicidade)
Hércules & Love Affair, Blind (recheio o que é que se passa que eu não consigo parar de dançar?)
The National, Mistaken for Strangers (recheio o rock é mem'bom)
Sons & Daughters, Gilt Complex (recheio oh tempo, volta pra trás)
Keren Ann, Lay Your Head Down (recheio bora lá fazer bebés)
Operator Please, Leave it Alone (recheio energético)
Chromatics, Night Drive (recheio eu ouço coisas cheias de pinta)
Rita Redshoes, Once I Find You (recheio do melhor feito em Portugal)
Digitalism, Idealistic (recheio a tua pastilha bate mais que a minha)
Beirut, My Night With the Prostitute From Marseille (versão da Natalie Portman’s Mixtape) (recheio faz-me viajar)
The Cinematics, Break (recheio uma noite no Bairro Alto)
Belle & Sebastian, Baby Jane (recheio temos nome de desenho animado, mas cantamos melhor que o Rod Stewart uma música que ele inventou)
quarta-feira, 19 de março de 2008
Lamentável...
"Caros Colegas,
Informamos que se encontra no Serviço Externo uma palete de chocolates, que podem e devem ir buscar!
Cumprimentos"
Este foi o e-mail enviado para todos os funcionários, há coisa de 45 minutos (está na moda dizer "há 45 minutos atrás", no fundo como se o verbo haver não estivesse ali a fazer nada, mas façam como eu e lembrem-se que são portugueses, não ingleses ou americanos, e que escusam por isso de utilizar o "atrás" à laia do "ago").
Este foi também o e-mail que me permitiu assistir a uma mitragem tamanho XXL.
Desci com mais três colegas meus, e quando chegamos à zona do serviço externo deparamo-nos com pessoas, talvez entusiasmadas por uma leitura rápida do e-mail, a carregarem caixas que compunham a tal palete.
Portanto, em vez de levarem cada um uma embalagem de Côte d'Or, cada um carregava uma caixa com 20 embalagens!
Enfurecido, o Luís, do serviço externo, dizia em voz alta que aquilo era uma vergonha, que assim não há palete que resista e que havia pessoal a carregar os carros com caixas de chocolate (isto está mau para todos, e quando se sai daqui tem que se ir vender chocolates. Ou será a pensar na Páscoa?). "Ainda bem que as câmaras estão a filmar tudo!", disse o mesmo Luís enfurecido, que se calhar nem tinha tido tempo para ver o tal e-mail causador deste movimento de mitragem achocolatada.
Nós resolvemos então agarrar numa caixa e trazer para o pessoal do departamento, mas a Paula, que entretanto acabava de chegar, decidiu contrariar o nosso "Paula, nós levamos aqui para distribuir por todos", e enfrentar o Luís tão enforecido quanto impotente para travar a marcha, com um "ah, mas eu tenho quatro filhos e está aí a Páscoa!" (pronto, afinal a culpa é da Páscoa).
"Coelhinho se eu fosse como tu, tirava a mão da boca e metia a mão no..."
Informamos que se encontra no Serviço Externo uma palete de chocolates, que podem e devem ir buscar!
Cumprimentos"
Este foi o e-mail enviado para todos os funcionários, há coisa de 45 minutos (está na moda dizer "há 45 minutos atrás", no fundo como se o verbo haver não estivesse ali a fazer nada, mas façam como eu e lembrem-se que são portugueses, não ingleses ou americanos, e que escusam por isso de utilizar o "atrás" à laia do "ago").
Este foi também o e-mail que me permitiu assistir a uma mitragem tamanho XXL.
Desci com mais três colegas meus, e quando chegamos à zona do serviço externo deparamo-nos com pessoas, talvez entusiasmadas por uma leitura rápida do e-mail, a carregarem caixas que compunham a tal palete.
Portanto, em vez de levarem cada um uma embalagem de Côte d'Or, cada um carregava uma caixa com 20 embalagens!
Enfurecido, o Luís, do serviço externo, dizia em voz alta que aquilo era uma vergonha, que assim não há palete que resista e que havia pessoal a carregar os carros com caixas de chocolate (isto está mau para todos, e quando se sai daqui tem que se ir vender chocolates. Ou será a pensar na Páscoa?). "Ainda bem que as câmaras estão a filmar tudo!", disse o mesmo Luís enfurecido, que se calhar nem tinha tido tempo para ver o tal e-mail causador deste movimento de mitragem achocolatada.
Nós resolvemos então agarrar numa caixa e trazer para o pessoal do departamento, mas a Paula, que entretanto acabava de chegar, decidiu contrariar o nosso "Paula, nós levamos aqui para distribuir por todos", e enfrentar o Luís tão enforecido quanto impotente para travar a marcha, com um "ah, mas eu tenho quatro filhos e está aí a Páscoa!" (pronto, afinal a culpa é da Páscoa).
"Coelhinho se eu fosse como tu, tirava a mão da boca e metia a mão no..."
segunda-feira, 17 de março de 2008
eu tenho mesmo que partilhar o meu local de trabalho com estas pessoas!!??
Regresso ao trabalho, depois de almoço.
Elevador.
Entra a sra 1. Depois a sra 2. Entro eu. E entra o sr.
Acesos os pisos 2, 3 e 4, onde eu sairei.
"A viagem vai ser longa", penso.
A porta começa a fechar.
"Então, como é que tu estás?", pergunta o sr à sra 1.
"Hoje não estou muito bem, não", responde ela.
"Tás como o tempo", diz ele
"Hummm", grunhe ela.
"O tempo está mais de neura", intomete-se a sra 2
"opah...", diz a sra 1. "E tu, como é que estás?", pergunta ela ao sr.
"Eu estou muito bem! Até vou já para casa"
"Mas vais ser operado!?!", alarma-se a sra 1.
"Não, vou para casa. Vou agora buscar as minhas coisas e vou-me embora", diz ele.
chegamos ao 2º piso, onde a alarmada sra 1 tem que sair
"mas vais ser operado em casa?!?", insiste a sra 1.
"Não! Eu disse que estou bem, tão bem que até vou já para casa", diz o sr.
A sra 1 faz um compasso de espera e despede-se com um "ah! então as melhoras!"
ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
Elevador.
Entra a sra 1. Depois a sra 2. Entro eu. E entra o sr.
Acesos os pisos 2, 3 e 4, onde eu sairei.
"A viagem vai ser longa", penso.
A porta começa a fechar.
"Então, como é que tu estás?", pergunta o sr à sra 1.
"Hoje não estou muito bem, não", responde ela.
"Tás como o tempo", diz ele
"Hummm", grunhe ela.
"O tempo está mais de neura", intomete-se a sra 2
"opah...", diz a sra 1. "E tu, como é que estás?", pergunta ela ao sr.
"Eu estou muito bem! Até vou já para casa"
"Mas vais ser operado!?!", alarma-se a sra 1.
"Não, vou para casa. Vou agora buscar as minhas coisas e vou-me embora", diz ele.
chegamos ao 2º piso, onde a alarmada sra 1 tem que sair
"mas vais ser operado em casa?!?", insiste a sra 1.
"Não! Eu disse que estou bem, tão bem que até vou já para casa", diz o sr.
A sra 1 faz um compasso de espera e despede-se com um "ah! então as melhoras!"
ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
sexta-feira, 14 de março de 2008
Esterilizar? Depende...

É uma das notícias do dia e é, confesso, uma das que mais está a irritar-me nos últimos tempos.
O ministro da Agricultura, Jaime Silva, sob o pretexto de estar preocupado com sucessivas notícias de ataques de cães a pessoas, tem em fase de apreciação um despacho que proíbe a criação, importação e comercialização de cães considerados perigosos ou potencialmente perigosos, a saber: Tosa Inu, Pit Bull, Rottweiller, Dogue Argentino, Cão de Fila Brasileiro, Staffordshire terrier americano e Staffordshire bull terrier.
Se o diploma for aprovado, vão ser esterilizados os cães destas raças e, como está bom de ver, pensa-se que as mesmas deixarão de existir em Portugal.
Quanto a este despacho, só tenho uma coisa a dizer: é uma cretinisse! É, uma vez mais, tentar atirar areia para os olhos do povo, que apesar de ter menos analfbetos do que no tempo do Salazar (cujos cartazes, estilo art pop, tornam Lisboa menos luminosa) vai por certo achar que esta é uma óptima medida.
Uma óptima medida, era meter no saco os filhos de uma repimpada puta que organizam lutas de cães, que os criam à base de pancada para os tornarem agressivos e violentos, que roubam outros cães para servirem de saco de porrada nos treinos das "suas feras"!
Contra isto nada é feito, apesar das autoridades terem mais do que referenciados os nomes dos montes de merda que gerem estes coliseus modernos. Ou vão dizer-me que revistas e canais de televisão fazem reportagens, mas a polícia não consegue descobrir nada?
Sim, sr. Ministro, é boa ideia esterilizar, não os cães mas muitas espécies de "animais sociais" que me parecem mais perigosos que os de quatro patas. Não ladram. Não mordem. Mas matam. E roubam. Cães e pessoas.
quarta-feira, 12 de março de 2008
Haverá outro 25 de Abril?

Costuma dizer-se que eu e outros da minha idade, somos filhos da revolução.
Que crescemos a respirar os novos ares, resultantes do Abril de 74.
Passaram mais de trinta anos sobre essa data, e é precisamente numa altura em que me preparo para celebrar 31 primaveras que assisto à maior manifestação de que tenho memória.
Será, certamente, a maior manifestação de sempre no que toca à educação, embora na minha caixinha de memórias que vale a pena abrir, continue a guardar com carinho especial as manifestações contra a PGA, mesmo tendo em conta que nessa altura eu ainda estava longe de ter que fazer tal exame, longe o suficiente para ter evitado sentar-me no meio da estrada repetidas vezes, desafiando a paciência e as bastonadas dos "sôres polícias".
No passado sábado, dia 8 de Março de 2008, 100 mil professores invadiram a baixa da capital e marcharam, de forma indignada, contra a ministra e os seus novos métodos de avaliação dos docentes (digo desde já que não me parece mal existirem avaliações, desde que feitas com critérios justos. Aliás, se essas avaliações justas existissem em todas as empresas e instituições, eu por certo estaria a ganhar mais, mas isso é outra conversa, até porque, dizem, isto está mau para todos e eu até tenho muita sorte em ter trabalho e contrato e ordenado e as regalias que tantos outros não têm. Ainda se isto me fosse dito por um desempregado...).
Adiante... Mais do que um interessante movimento capaz de demonstrar união de uma classe trabalhadora, mesmo que depois alguns dos que marcharam unidos possam vir a contribuir para a nota negativa do colega (trabalho é trabalho, conhaque é conhaque), quer-me parecer que o reunir de tanta gente nas ruas significa mais do que um protesto contra a avaliação dos professores.
Parece-me, isso sim, que as pessoas estão cada vez mais cansadas. Fartas, mesmo. E o enfartanço é tal, que poderá ser resumido num "estão fartas de quase tudo". Talvez por isso tenham sido 100 mil, num sinal claro, digo eu, de que o tempo de José Sócrates está a esgotar-se.
O problema, digo eu novamente, é o que se seguirá, pois o que tenho visto nos meus 31% de um século de vida mostra que o descontentamente tem memória curta. Que o partido que "enterrou tudo" volta a ser fixe passados quatro anos, e que assim continuamos num dança das cadeiras em que os cus vão variando, mas as flatulências que libertam cheiram praticamente ao mesmo.
segunda-feira, 10 de março de 2008
O que fazemos contigo, Paulo Bento?
Tenho evitado usar o blog para escrever sobre futebol, embora seja uma vontade que me corre nas veias. Mesmo tendo em conta o campeonato miserável que o meu Sporting está a fazer.E é precisamente mais uma jornada que se crava no peito como se de um punhal afiado se tratasse, que me leva a teorizar um bocado e, porque não dizê-lo, a tentar exorcizar esta dor que é por certo extensível a qualquer leão que se preze.
Depois da derrota de ontem, em Guimarães, a internet foi como que inundada por sportinguistas a pedirem ao Paulo Bento que faça o mesmo que o Camacho, ou seja, peça a demissão. Eu espero que isso não aconteça.
É verdade, estamos a 20 pontos do FC Porto, e esta noite podemos ficar em sexto, caso o Belenenses ganhe ao Boavista. É, basicamente, a classificação mais miserável de que tenho memória, mas... despedir o Paulo Bento não me parece solução. Pelo menos nesta altura.
Provavelmente, com o evoluir do campeonato e o cavar do fosso para o primeiro classificado, quem dirige a nossa equipa agarrou-se de unhas e dentes às outras competições: Taça de Portugal, Taça da Liga e o sonho de fazer uma graçola na UEFA. Sem esquecer o 2º lugar, que dá entrada directa na Liga dos Campeões.
Acontece que não temos matéria humana (em qualidade e quantidade) para combater em quatro frentes, isto apesar de já termos chegado à final da Taça da Liga (raios ma'partam se não encavamos bem encavados os palermas do sado e o falso modesto que os treina), estarmos a um derby da final da Taça, com um pé nos quartos-de-final da UEFA e a diferença recuperável do segundo lugar.
Claro que o Paulo Bento tem parte da culpa.
Por exemplo, não se entende o porquê de, tendo em conta que não quer abdicar da sua táctica, ter demorado tanto a colocar o Vukcevic mais adiantado, ao lado do Liedson, insistindo primeiro no Djaló e depois no Purovic.
Também não se entende o porquê de ter ficado com alguns jogadores no plantel, casos do Farnerud e do Ronny, que seriam facilmente substituídos por alguns dos "putos" que rodam noutras equipas. Já para não falar do Paredes.
E dava jeito que existisse um pano B, uma táctica decentemente ensaiada e que nos permitisse ter outra elasticidade quado as coisas não correm bem (existem umas variações, se assim lhe podemos chamar).
É igualmente verdade que não tem culpa que a direcção do Sporting tenha sido amadora na renovação do contrato do Tello. Que não tenha aberto os cordões à bolsa para ficar com o Caneira e que tenha preferido não exercer preferência sobre o passe do Alecsandro, porque era caro.
Também não teve culpa do Derlei ter-se lesionado. Depois o Pedro Silva. Depois o Djaló. Depois o Vukcevic. Depois o Romagnoli. Depois o Liedson. E agora o Purovic. Até o puto Paez se lesionou, para nenhum dos avançados se ficar a rir (eu gostava era que alguém explicasse algumas das lesões).
Acontece que me identifico com a forma de estar do Paulo Bento. Com a frontalidade com que diz e assume as coisas. Com aquela imagem de quem prefere quebrar que torcer e que, perante as dificuldades, cerra os dentes e vai à luta. Porra, este é o espírito que nas bancadas de Alvalade se reclama e creio que ninguém pode apontar-lhe o dedo, acusando-o de ser um mosca morta como tantos outros que, na pele de treinador, já defenderam as nossas cores.
Se o homem pudesse, acredito que ia para o banco equipado e quando fosse preciso entrava ele. Mas não pode, e também não tem uma direcção que o deixa gastar dinheiro em jogadores. Por isso, quando as coisas correm mal, olha para o lado e fica com aquele ar meio atordoado, mas não vem dizer que precisa de jogadores. Trabalha com o que tem e tenta fazer das fraquezas forças. É um mérito, principalmente quando falamos de um treinador que ainda está a aprender a sê-lo.
Não era o melhor do mundo quando, no ano passado, fez do Sporting uma máquina de resolver jogos nos primeiros 10 minutos. Também não me parece que seja o pior do mundo, agora que os putos que eram o nosso orgulho se debatem com a falta de um líder em campo e parecem estar constantemente à beira de um ataque de nervos.
p.s. - algo que me diz que esta época ainda tem algo de bom guardado para nós, seguidores da religião verde e branca. Talvez seja uma besta, mas acredito nisto.
E se o sonho comanda a vida, então eu acho que esta semana vai ser uma maravilha.
Quinta-feira ganhamos 3-0 ao Bolton. O Benfica leva três, só "parati", do Getafe.
No fim-de-semana, os vitórias, de Setúbal e de Guimarães, são barrados em Paços de Ferreira e Leiria, respectivamente, enquanto o Benfica de Chalana vai definitivamente ao fundo, na visita à ilha da Madeira. Nós recebemos o Nacional, e ganhamos. E vamos todos ao Algarve ver a final da Taça da Liga.
p.s.2 - se há alguém que deveria ser posto na rua em primeiro lugar, esse dá pelo nome de Soares Franco! Estou cansado daquele discurso cheio de contradições e palermices. A última, a respeito do novo cartão de sócio, deixou-me envergonhado.
Nicolas Cage torce pelo Real Madrid

Por certo já olharam para o título deste post.
E depois olharam para a foto.
E estão confusos.
Quem parece não ter ficado nada confuso ou, eu diria antes, quem mostrou sofrer de graves retinopatias, foram os dirigentes do milionário Real Madrid, que receberam com pompa e circunstância um suposto Nicolas Cage, que mais não era do que um humorista italiano chamado Paolo Calabresi e que, à conta de uns e-mails, conseguiu ter as mordomias que teve recentemente Sylvester Stallone.
É o que dá terem os filmes todos dobrados em castelhano...
quinta-feira, 6 de março de 2008
Ser jornalista também é isto
Sexta. 19h00. Ligas a tentar marcar uma entrevista.
O futuro entrevistado diz-te que sim, que pode ser na terça.
Tu respondes que vais falar com o fotógrafo e que ligas segunda, a seguir ao almoço, para acertar a hora, e apontas logo a morada onde o trabalho vai ser feito.
Segunda. 15.20. Ligas conforme o combinado.
"Olá Fernando. Fala Pedro (bláblábláblábláblá). Estou a ligar para confirmar o trabalho para amanhã à tarde"
"Não pode ser. Surgiu um problema"
"Então..."
"O meu irmão faleceu" (com voz a indiciar um possível arranque para sessão de choro compulsivo)
"Lamento imenso..." (f***-**, esta merda não está a acontecer-me)
O futuro entrevistado diz-te que sim, que pode ser na terça.
Tu respondes que vais falar com o fotógrafo e que ligas segunda, a seguir ao almoço, para acertar a hora, e apontas logo a morada onde o trabalho vai ser feito.
Segunda. 15.20. Ligas conforme o combinado.
"Olá Fernando. Fala Pedro (bláblábláblábláblá). Estou a ligar para confirmar o trabalho para amanhã à tarde"
"Não pode ser. Surgiu um problema"
"Então..."
"O meu irmão faleceu" (com voz a indiciar um possível arranque para sessão de choro compulsivo)
"Lamento imenso..." (f***-**, esta merda não está a acontecer-me)
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