quarta-feira, 12 de março de 2008

Haverá outro 25 de Abril?


Costuma dizer-se que eu e outros da minha idade, somos filhos da revolução.
Que crescemos a respirar os novos ares, resultantes do Abril de 74.

Passaram mais de trinta anos sobre essa data, e é precisamente numa altura em que me preparo para celebrar 31 primaveras que assisto à maior manifestação de que tenho memória.
Será, certamente, a maior manifestação de sempre no que toca à educação, embora na minha caixinha de memórias que vale a pena abrir, continue a guardar com carinho especial as manifestações contra a PGA, mesmo tendo em conta que nessa altura eu ainda estava longe de ter que fazer tal exame, longe o suficiente para ter evitado sentar-me no meio da estrada repetidas vezes, desafiando a paciência e as bastonadas dos "sôres polícias".

No passado sábado, dia 8 de Março de 2008, 100 mil professores invadiram a baixa da capital e marcharam, de forma indignada, contra a ministra e os seus novos métodos de avaliação dos docentes (digo desde já que não me parece mal existirem avaliações, desde que feitas com critérios justos. Aliás, se essas avaliações justas existissem em todas as empresas e instituições, eu por certo estaria a ganhar mais, mas isso é outra conversa, até porque, dizem, isto está mau para todos e eu até tenho muita sorte em ter trabalho e contrato e ordenado e as regalias que tantos outros não têm. Ainda se isto me fosse dito por um desempregado...).

Adiante... Mais do que um interessante movimento capaz de demonstrar união de uma classe trabalhadora, mesmo que depois alguns dos que marcharam unidos possam vir a contribuir para a nota negativa do colega (trabalho é trabalho, conhaque é conhaque), quer-me parecer que o reunir de tanta gente nas ruas significa mais do que um protesto contra a avaliação dos professores.

Parece-me, isso sim, que as pessoas estão cada vez mais cansadas. Fartas, mesmo. E o enfartanço é tal, que poderá ser resumido num "estão fartas de quase tudo". Talvez por isso tenham sido 100 mil, num sinal claro, digo eu, de que o tempo de José Sócrates está a esgotar-se.

O problema, digo eu novamente, é o que se seguirá, pois o que tenho visto nos meus 31% de um século de vida mostra que o descontentamente tem memória curta. Que o partido que "enterrou tudo" volta a ser fixe passados quatro anos, e que assim continuamos num dança das cadeiras em que os cus vão variando, mas as flatulências que libertam cheiram praticamente ao mesmo.

2 comentários:

CHIC-HANDSOME disse...

great week-end

Petchuguinha disse...

Meu querido amigo, admiro-te muito porque de facto consegues sublimemente pôr no papel ( passo a expressão) todos os teus pensamentos! E, neste caso, estou contigo, de corpo e alma!